FOGO NA PERSEGUIDA: AS MULHERES ESTÃO SE VICIANDO EM PORNOGRAFIA

Quem pensou que eu falaria apenas de animes neste blog se enganou. Por aqui, abordarei também temas variados, como canais do YouTube e até questões relacionadas à sexualidade, quando julgar pertinente. Afinal, convenhamos, isso também faz parte do universo nerd.

Recentemente, enquanto navegava pelo YouTube, me deparei com um vídeo intitulado "Como é ser uma mulher viciada em pornografia", do canal Gabrita Off. O vídeo foi recomendado pelo algoritmo da plataforma, e, embora eu consuma majoritariamente conteúdos sobre história, animes e tecnologia, acabei me interessando pelo tema. Não sou mulher, mas vi ali uma oportunidade de refletir e talvez criar um conteúdo relevante para este espaço, abordando um assunto cada vez mais em evidência.

Segundo dados do Pornhub, uma das maiores plataformas de conteúdo adulto do mundo, o número de mulheres que consomem pornografia tem crescido significativamente. Atualmente, elas representam cerca de um terço dos usuários regulares, com grande parte pertencendo à faixa etária de 18 a 24 anos. No Brasil, o índice é de 33%, acima da média global de 25%.

Embora o consumo de pornografia possa, em alguns casos, ajudar no autoconhecimento e na descoberta de preferências sexuais, o uso excessivo pode gerar vícios e impactos negativos à saúde física e mental. Em entrevista ao jornal O Globo, a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP, aponta que cerca de 10% das mulheres que acessam regularmente conteúdos pornográficos têm potencial para desenvolver dependência.

No Reino Unido, por exemplo, o aumento de mulheres em busca de serviços de saúde sexual está associado à incapacidade de abandonar o consumo excessivo de pornografia. Muitas relatam problemas como diminuição da libido e dor durante relações sexuais. Além disso, estudos indicam uma relação direta entre o consumo de conteúdos eróticos violentos e o aumento de comportamentos sexuais agressivos na vida real.

Entre as vozes que alertam sobre esses perigos está a holandesa Kristel Koppers, de 31 anos. Ex-dependente de pornografia, ela criou um canal no YouTube para compartilhar sua experiência e ajudar outras mulheres a superarem o vício. Com mais de dois milhões de visualizações, Koppers destaca a importância de reconhecer os efeitos negativos da pornografia no cotidiano e na saúde mental.

No Brasil, o canal Gabrita Off parece seguir um caminho similar. Com mais de 27 mil inscritos, a criadora se propõe a discutir abertamente os impactos do vício em pornografia, um tema ainda cercado de tabus.

O consumo abusivo de pornografia pode desencadear uma série de problemas, como dificuldade de se excitar com parceiros reais, ansiedade, fobias sociais e baixa autoestima. Além disso, a exposição a conteúdos cada vez mais extremos tem levado a um aumento de lesões íntimas e infecções relacionadas a práticas sexuais agressivas, segundo estudo publicado no British Medical Journal.

A neurociência também explica o mecanismo por trás do vício. Durante o consumo de pornografia, o cérebro libera dopamina, o "hormônio do prazer". Embora essa substância tenha efeitos positivos, como redução do estresse e melhora no humor, seu excesso pode tornar o cérebro menos sensível, exigindo estímulos cada vez mais intensos para alcançar o mesmo nível de satisfação. Isso leva ao ciclo vicioso de dependência, que muitas vezes prejudica a satisfação em relações reais.

Nos Estados Unidos, uma pesquisa da Virginia Commonwealth University revelou que mais da metade das mulheres que consomem pornografia regularmente preferem o conteúdo virtual ao ato sexual real. Muitas relatam lembrar de cenas vistas online para manter a excitação durante relações íntimas, evidenciando o impacto do vício em sua vida sexual.

Diante desse cenário, movimentos como o NoFap têm ganhado força. A iniciativa, que começou com homens, agora engloba também mulheres e membros da comunidade LGBTQIA+. O desafio propõe a abstinência de masturbação e pornografia, especialmente durante o mês de setembro, promovendo a reavaliação de hábitos prejudiciais.

Kristel Koppers foi uma das participantes desse movimento, mas decidiu ir além: comprometeu-se a 90 dias sem consumir conteúdos pornográficos e, desde então, manteve-se longe desse tipo de material. Sua experiência reforça que é possível superar o vício e construir uma relação mais saudável com a sexualidade.

Além de desafios como o NoFap, especialistas recomendam práticas como exercícios físicos, meditação e terapia para lidar com a dependência. Em casos mais graves, o uso de medicamentos, sob orientação médica, pode ser necessário.

Por fim, discutir o impacto da pornografia — especialmente entre mulheres — é essencial. Trata-se de um problema crescente que não pode ser ignorado. Iniciativas como as de Gabrita Off e Kristel Koppers são passos importantes para trazer luz a um tema que afeta a saúde mental e emocional de muitas pessoas, mas que ainda é tratado como tabu.

Seja no YouTube, em blogs ou nas redes sociais, precisamos continuar dialogando sobre sexualidade e vício de maneira aberta e responsável. Afinal, a informação é o primeiro passo para a conscientização e mudança.

Com informações: O Globo.

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